A dor de ouvido é um dos motivos mais comuns de consulta ao otorrinolaringologista, e boa parte desses casos tem um nome em comum: otite.
Resposta rápida
Otite é a inflamação ou infecção do ouvido, que pode afetar a região externa, média ou interna. Ela costuma surgir após gripes, resfriados ou alergias respiratórias e é especialmente comum em bebês e crianças pequenas. Os sintomas variam conforme o tipo, mas incluem dor, sensação de ouvido entupido, diminuição da audição e, em alguns casos, febre e saída de secreção. O diagnóstico é feito pelo otorrinolaringologista ou pediatra, com exame físico e, quando necessário, exames complementares. O tratamento depende da causa e pode envolver medicamentos, cuidados locais ou, em casos específicos, procedimentos como a colocação de tubos de ventilação. Na maioria das vezes, a otite tem cura quando tratada corretamente.
Resumo
- Otite é a inflamação do ouvido externo, médio ou interno, com causas e tratamentos diferentes para cada tipo
- Os sintomas mais comuns são dor, sensação de ouvido cheio, perda auditiva e, em crianças, febre e irritabilidade
- O diagnóstico depende de exame físico com otoscópio e, quando necessário, audiometria ou timpanometria
- O tratamento varia do uso de gotas auriculares até antibióticos ou colocação de tubos de ventilação
- Complicações são raras, mas podem ser graves, principalmente em crianças, por isso a avaliação médica é importante

O que é a otite?
Otite é a inflamação ou infecção do ouvido, que pode acometer a parte externa, média ou interna, com causas e características diferentes em cada caso.
Definição e tipos de otite
Otite é o nome dado à inflamação do ouvido, que pode ser causada por vírus, fungos ou bactérias e costuma provocar dor de intensidade variável.
Existem quatro tipos principais: otite externa, que afeta o canal auditivo; otite média aguda, que atinge a cavidade atrás do tímpano; otite média com efusão, marcada pelo acúmulo de líquido sem sinais evidentes de infecção; e otite interna, também chamada de labirintite, que compromete estruturas mais profundas do ouvido.
A otite média aguda é o tipo mais frequente em crianças, muitas vezes surgindo como complicação de um resfriado comum.
Causas comuns da otite
A maioria dos casos de otite tem origem em infecções respiratórias, como gripes e resfriados, que se espalham para o ouvido através da trompa de Eustáquio.
Alergias respiratórias frequentes, como rinite e sinusite, também aumentam o risco, assim como a exposição à fumaça de cigarro e a inflamação do osso mastoide, localizado atrás da orelha.
Em bebês, o uso de mamadeira para alimentação pode favorecer o refluxo de leite para a parte média do ouvido, criando condições para o desenvolvimento de uma infecção.
É importante lembrar que a otite em si não é contagiosa, mas quando decorre de uma infecção viral, como gripe ou resfriado, o vírus causador pode ser transmitido a outras pessoas.
4 tipos principais de otite

Quais são os sintomas da otite?
Os sintomas da otite variam conforme o tipo e a idade do paciente, mas costumam incluir dor de ouvido, sensação de ouvido entupido e diminuição da audição.
Sintomas gerais da otite
A dor de ouvido pode ser leve ou muito forte, dependendo do tipo e da gravidade da inflamação.
Outros sinais comuns são sensação de ouvido cheio ou entupido, diminuição da audição, saída de líquido ou pus pelo ouvido e febre.
Na otite externa, é frequente observar coceira, vermelhidão e inchaço do canal auditivo, além de dor que piora ao tocar ou puxar a orelha.
Já na otite média aguda, o tímpano costuma aparecer avermelhado e abaulado ao exame, e a dor tende a ser mais profunda, muitas vezes acompanhada de febre mais alta.
Sintomas em crianças e bebês
Como bebês e crianças pequenas ainda não conseguem descrever bem o que sentem, a otite costuma se manifestar por irritabilidade, choro frequente, dificuldade para dormir e recusa alimentar.
Náusea, vômitos e diarreia também podem aparecer em crianças pequenas durante um episódio de otite média aguda.
Às vezes, o tímpano rompe espontaneamente e sai secreção pelo ouvido. Embora pareça preocupante, esse rompimento costuma trazer alívio imediato da dor e é um sinal claro de que havia uma otite média em curso.
Quando a otite se repete com frequência, isto é, três episódios em seis meses ou quatro em um ano, falamos em otite média recorrente, situação que merece atenção especial do otorrinolaringologista ou pediatra.
3 episódios em seis meses que caracterizam otite recorrente
4 episódios em um ano que caracterizam otite recorrente

Como é feito o diagnóstico da otite?
O diagnóstico da otite é feito pelo otorrinolaringologista ou pediatra por meio do exame físico do ouvido, complementado, quando necessário, por exames específicos.
Exames utilizados para diagnóstico
O exame inicial é feito com o otoscópio, aparelho que permite observar diretamente o canal auditivo e o tímpano, identificando sinais de inflamação, vermelhidão ou acúmulo de secreção.
Quando há necessidade de avaliar a audição, a audiometria é utilizada para quantificar a perda auditiva e diferenciar se ela tem origem condutiva, ligada ao ouvido externo ou médio, ou neurossensorial, relacionada ao ouvido interno.
A timpanometria, por sua vez, mede a mobilidade do tímpano e a pressão dentro do ouvido médio, sendo especialmente útil para identificar acúmulo de líquido, como ocorre na otite média com efusão.
Em alguns casos, quando há saída de secreção ou pus, pode ser feita a análise desse material para identificar o agente causador da infecção e orientar melhor o tratamento.
Importância da avaliação médica
Muitos sintomas de otite se confundem com outras condições do ouvido, nariz e garganta, por isso a avaliação presencial é essencial para definir o tipo exato de otite e a melhor conduta.
No consultório, também é possível identificar se há excesso de cera ou cerume impactado dificultando a visualização do tímpano, o que exige uma limpeza específica feita pelo próprio especialista.
Buscar avaliação médica precocemente ajuda a evitar que uma inflamação simples evolua para um quadro mais complicado, especialmente em crianças pequenas, que têm maior risco de complicações.

Qual o tratamento para a otite?
O tratamento da otite depende diretamente do tipo e da causa, variando de gotas auriculares até antibióticos orais ou, em casos específicos, pequenos procedimentos cirúrgicos.
Tratamento da otite externa
Na otite externa, o tratamento de primeira linha costuma ser feito com gotas auriculares contendo antibiótico, muitas vezes associadas a um corticoide local para reduzir a inflamação e o inchaço.
O alívio da dor costuma aparecer já nas primeiras horas após o início do tratamento, com melhora expressiva do quadro.
Quando há perfuração recente do tímpano associada à otite externa, a entrada de água no ouvido deve ser evitada, pois pode agravar o quadro e retardar a recuperação.
Tratamento da otite média
A boa notícia é que a maior parte dos casos de otite média aguda melhora mesmo sem uso de antibiótico, e nem todo caso precisa de tratamento medicamentoso imediato.
O uso de antibiótico costuma ser indicado quando há piora do quadro, febre persistente, dor intensa, otite bilateral em crianças pequenas ou saída de secreção por perfuração do tímpano.
Para crianças muito pequenas, com menos de seis meses, os médicos costumam optar por iniciar o antibiótico antes mesmo de aguardar o período de observação, dado o maior risco de complicações nessa faixa etária.
O controle da dor pode ser feito com paracetamol ou anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno, sempre conforme orientação médica.
Quando a dor é intensa por acúmulo de pressão atrás do tímpano, e há febre associada com o tímpano visivelmente abaulado, pode ser indicada uma pequena drenagem cirúrgica, chamada miringotomia, para aliviar a pressão e drenar a secreção.
Tratamento da otite média com efusão
Na otite média com efusão, o líquido pode permanecer acumulado atrás do tímpano por semanas, sem sinais claros de infecção aguda, o que muitas vezes causa apenas uma perda auditiva temporária e discreta.
Antibióticos e descongestionantes não costumam trazer benefício nesse tipo específico de otite.
Quando o líquido persiste por período mais prolongado, geralmente entre um e três meses, e impacta a audição, a fala ou o aprendizado da criança, a colocação de um tubo de ventilação no tímpano pode ser indicada para ajudar a secar a orelha e restaurar a audição.
Esses tubos geralmente caem sozinhos depois de alguns meses, e crianças que os utilizam podem lavar o cabelo e até nadar, com cuidado extra para evitar submergir a cabeça em água profunda sem proteção auricular.
1 a 3 meses prazo de líquido acumulado para considerar tubo de ventilação na otite média com efusão

Como prevenir a otite?
Prevenir a otite envolve cuidados simples de higiene, controle de fatores de risco e atualização da vacinação, especialmente em crianças.
Boas práticas de higiene
Secar bem os ouvidos após nadar ou tomar banho ajuda a evitar o acúmulo de umidade que favorece infecções, principalmente a otite externa.
Tratar corretamente gripes e resfriados, evitar a exposição à fumaça de cigarro e não usar cotonetes ou qualquer outro objeto dentro do ouvido são medidas simples, mas eficazes.
O cotonete, aliás, tende a empurrar a cera para dentro do canal e pode criar pequenas feridas que abrem caminho para infecções. Quando há excesso de cera, o ideal é que a remoção seja feita por um profissional.
Em bebês, evitar que durmam com a mamadeira na boca reduz o risco de o leite refluir para o ouvido médio pela trompa de Eustáquio. O aleitamento materno, sempre que possível, também ajuda a reduzir o risco de infecções, e deve ser feito com a criança em posição elevada para uma alimentação mais segura.
Importância da vacinação
Manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de otite média aguda, especialmente em crianças.
As vacinações de rotina contra pneumococo, contra o Haemophilus influenzae tipo B e contra a gripe fazem parte dessa proteção.
Vale destacar que a vacina contra o pneumococo, isoladamente, reduz a incidência de otite em uma parcela específica da população infantil, o que reforça a importância de associá-la a outras medidas preventivas.
6% a 7% redução na incidência de otite na população infantil com a vacina pneumocócica

Quando a otite é considerada grave?
A otite é considerada grave quando há sinais de que a infecção está se espalhando para além do ouvido ou quando os sintomas persistem apesar do tratamento inicial.
Sinais de complicações
Dor intensa acompanhada de inchaço atrás da orelha, orelha projetada para frente e febre alta são sinais que sugerem mastoidite, uma inflamação do osso mastoide que exige atenção imediata.
Outros sinais de alerta incluem perda auditiva que não melhora, tontura persistente sugerindo labirintite, e febre alta que não cede mesmo com o tratamento adequado.
Embora raras, as complicações da otite podem incluir perda auditiva permanente, perfuração persistente do tímpano, meningite ou abscesso cerebral, sendo mais preocupantes em crianças.
Quando buscar ajuda médica
Sempre que a dor de ouvido for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre alta, é hora de procurar um otorrinolaringologista.
Em crianças, sinais como choro incontrolável, recusa alimentar prolongada, letargia ou atraso perceptível na fala e no comportamento que sugira dificuldade auditiva também merecem avaliação prioritária.
Se a otite não melhorar em 48 a 72 horas após o início do tratamento, ou se piorar nesse intervalo, a reavaliação médica é indicada para ajustar a conduta.

É perigoso ter otite?
Sim, a otite pode ser perigosa em determinadas situações, embora a maioria dos casos, quando tratada corretamente, evolua bem e sem sequelas.
Riscos associados à otite
Os principais riscos da otite envolvem perda de audição, que pode ser temporária ou, em casos mais graves, permanente, além da perfuração do tímpano.
Complicações mais sérias, como meningite, abscesso cerebral ou labirintite, são raras, mas podem ocorrer, principalmente em crianças pequenas, cujo sistema imunológico e anatomia do ouvido ainda estão em desenvolvimento.
Certas condições aumentam a vulnerabilidade a essas complicações, como viver em ambiente com fumantes, frequentar creche, ter parentes próximos com histórico de otite média ou não ter sido amamentado.
Consequências a longo prazo
Quando a otite é tratada dentro do prazo esperado, a febre costuma desaparecer em poucos dias, mas a audição pode levar um pouco mais de tempo para se normalizar completamente.
Se a infecção não for tratada adequadamente, existe o risco de perda auditiva total, o que reforça a importância de não postergar a avaliação médica diante de sintomas persistentes.
De forma geral, a otite tem cura quando o tratamento é conduzido conforme a orientação do especialista, e o acompanhamento com otoscopia e, quando necessário, exames como audiometria e timpanometria, é o caminho mais seguro para garantir que o ouvido volte a ficar seco, sem dor e com audição estável.

Conclusão
A otite é uma condição comum, mas que não deve ser tratada com descaso, sobretudo quando envolve crianças pequenas ou episódios que se repetem.
Reconhecer os sintomas precocemente, buscar avaliação com um otorrinolaringologista e seguir o tratamento indicado até o fim são os passos que realmente fazem diferença na recuperação e na prevenção de complicações.
Cuidar do ouvido é, na prática, cuidar da qualidade de vida: da capacidade de ouvir bem, de dormir sem dor e, no caso das crianças, de se desenvolver sem prejuízos na fala e na aprendizagem.
Se você ou alguém da família apresenta sintomas de otite, o ideal é não esperar a dor passar por conta própria. Uma avaliação especializada permite identificar o tipo exato de otite e iniciar o tratamento mais adequado para cada caso.
Perguntas frequentes
Otite tem cura?
Sim. A otite tem cura na grande maioria dos casos quando o tratamento é feito de acordo com a orientação médica, seja com gotas auriculares, antibióticos ou, em situações específicas, procedimentos como a colocação de tubo de ventilação.
Otite é contagiosa?
A otite em si não é contagiosa. Porém, quando ela surge como complicação de uma infecção viral, como gripe ou resfriado, o vírus responsável por essa infecção pode ser transmitido a outras pessoas.
Qual a diferença entre otite externa e otite média?
A otite externa afeta o canal auditivo, a parte externa do ouvido, e costuma causar dor, coceira e vermelhidão. Já a otite média ocorre na cavidade atrás do tímpano, geralmente após uma infecção respiratória, e pode causar dor profunda, febre e diminuição da audição.
Por que a otite é mais comum em crianças?
Crianças têm a trompa de Eustáquio mais curta e horizontal, o que facilita a passagem de secreções e vírus das vias respiratórias para o ouvido médio. Fatores como frequentar creche, uso de mamadeira e exposição à fumaça de cigarro também aumentam esse risco.
Quando a otite exige antibiótico?
Nem todo caso de otite média precisa de antibiótico imediato. Ele costuma ser indicado quando há piora do quadro, febre persistente, dor intensa, otite bilateral em crianças pequenas ou saída de secreção por perfuração do tímpano.
O que é otite média com efusão?
É o acúmulo de líquido na orelha média sem sinais evidentes de infecção aguda. Costuma causar perda auditiva temporária e, quando persiste por vários meses, pode exigir a colocação de um tubo de ventilação no tímpano.
Como prevenir a otite em bebês?
Evitar que o bebê durma com a mamadeira na boca, priorizar o aleitamento materno em posição elevada, manter a vacinação atualizada e evitar a exposição à fumaça de cigarro são medidas eficazes para reduzir o risco de otite nessa faixa etária.
Quais sinais indicam que a otite está grave?
Dor intensa com inchaço atrás da orelha, orelha projetada para frente, febre alta persistente e perda auditiva que não melhora são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata.
Glossário
Otite externa: Inflamação do canal auditivo, a parte externa do ouvido, frequentemente ligada à exposição prolongada à umidade.
Otite média aguda: Infecção viral ou bacteriana da cavidade atrás do tímpano, mais comum em crianças pequenas.
Otite média com efusão: Acúmulo de líquido na orelha média sem sinais evidentes de infecção, podendo causar perda auditiva temporária.
Labirintite: Outro nome para a otite interna, inflamação que afeta estruturas mais profundas do ouvido relacionadas ao equilíbrio.
Timpanometria: Exame que mede a mobilidade do tímpano e a pressão dentro do ouvido médio.
Miringotomia: Pequena abertura feita no tímpano para drenar líquido acumulado no ouvido médio.
Tubo de ventilação: Dispositivo inserido no tímpano para ajudar a drenar líquido e equilibrar a pressão do ouvido médio.
Mastoidite: Inflamação do osso mastoide, localizado atrás da orelha, considerada uma complicação da otite.
Referências
- Otite: O que é, sintomas, tratamentos e causas.
- Otite: como tratar e prevenir inflamações no ouvido
- Otite média (aguda), Distúrbios do ouvido, nariz e garganta
- Otite média, Portal Drauzio Varella, UOL
- Otite: Tipos, Sintomas e Tratamento em Crianças e Adultos
- Otite: saiba os sintomas, os tipos e o tratamento, Lusíadas Saúde
- Otite: conheça as causas, sintomas e tratamentos disponíveis
- Otite: sintomas, causas, tratamento e prevenção | JCS
- Otite média (serosa), Manuais MSD edição para profissionais
- Otite média (aguda), Manual MSD Versão Saúde para a Família
